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“A estância termal do Luso constitui uma das maiores riquezas com que a Natureza dotou o nosso país”. São estas as palavras, da autoria de Coronel J. Corrêa dos Santos, que abrem a introdução que escreveu num livro editado por altura da inauguração do Grande Hotel de Luso.
Mais adiante faz a justa e merecida referencia à iniciativa da Sociedade da Água de Luso de construir o hotel dizendo ”… o novo hotel recentemente inaugurado, a piscina, a série de obras projectadas e em execução, têm operado no Luso a transformação que de há muito se impunha…”. Inaugurado em 27 de Julho de 1940, o projecto do hotel nasce na altura em que o Professor Fernando Bissaya Barreto (1886-1974) era Presidente do Conselho de Administração da Sociedade da Agua de Luso, à qual esteve ligado durante mais de quarenta anos. Nos anos 1929 e 1930 prestando os seus serviços clínicos e depois definitivamente ligado à empresa passando a exercer o cargo de Presidente do CA.
Em 1937, foi proposta em Assembleia Geral Extraordinária a construção de um hotel e de uma piscina “(…) nestes dois últimos anos, tem merecido o maior cuidado ao Conselho de Administração o estudo da construção de um hotel para o engrandecimento das nossas Termas de Luso”.

No ano seguinte, 1938, teve início a construção do hotel segundo um projecto do arquitecto Cassiano Viriato Branco (1897-1970), “talvez a personalidade mais poderosa e inventiva do modernismo“ segundo a arquitecta Ana Tostões in “Arquitectura Portuguesa do século XX”. Para Pedro de Almeida e José Fernandes In “História da Arte em Portugal”, a obra de Cassiano foi paradigmática da situação arquitectónica da época pela surpreendente versatilidade entre a linguagem moderna e um estilo tradicional português de que é um bom exemplo o Portugal dos Pequenitos em Coimbra, outra obra que ilustra a visão e determinação do Professor Bissaya Barreto.
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